A cidade e as serras – Uma importante obra de Eça Queirós

“A Cidade e as Serras” é a última obra de Eça de Queirós e tem grande importância na literatura portuguesa, descrevendo as ideias da época e marcando uma nova fase do escritor. Foi publicada em 1901, um ano após a morte de Eça, e não estava finalizada: faltava a revisão. Apesar disso, é considerado um belíssimo romance que mostra a maturidade artística de Eça de Queirós, que se reconcilia com o país de Portugal após severas críticas em obras anteriores como O Crime do Padre Amaro e O primo Basílio. Em “A Cidade e as Serras” o realismo é menos intenso, os males da civilização são ironizados e os valores da natureza enaltecidos. Para ser desenvolvida, a história foi inspirada na ideia central do conto Civilização, de 1892.

No livro, é trabalhado a temática campo x cidade, que faz parte de uma tradição literária do autor. A narrativa se passa em Paris no século XIX e expõe a relação entre as elites e as classes subalternas. Enquanto Paris encontra-se no auge como centro das atenções na Europa, Portugal é um país agrário e decadente. Entre os jovens da cidade, predomina a filosofia do positivismo baseada nas teorias de Augusto Comte, e o protagonista é um deles. Jacinto de Tormes é um homem da cidade que muda seus conceitos quando vai para o campo. Apreciador da civilidade e do progresso, Jacinto encontra a felicidade na simplicidade. Ele entra em um processo de autoconhecimento em um ambiente que dispensa a tecnologia para gerar sabedoria, bastando a contemplação da natureza.

Ao entrar em contato com novas paisagens e agir como um verdadeiro trabalhador, o protagonista também resgata seu espírito lusitano. Ele busca um equilíbrio entre o mundo moderno e a vida no campo. No enredo, Portugal é bastante valorizado por Eça de Queirós, fato que é considerado a reconciliação do escritor com sua terra natal.

A história é bem longa e detalhada, com vários personagens envolvidos em uma sequência de acontecimentos que retratam toda uma época.

Personagens

Jacinto – português residente em Paris, entusiasta da vida urbana, das inovações tecnológicas e da ciência; características que vão se alterar drasticamente durante a história.

José Fernandes – Narrador-personagem amigo de Jacinto desde os tempos de estudante, quando os dois moravam em Paris.

Jacinto Galião – Também chamado dom Galião. Avô de Jacinto.

Cintinho – Pai de Jacinto, homem de saúde frágil e temperamento sombrio.

Grilo – O mais antigo criado de Jacinto, negro que desde a infância acompanha o patrão. Havia sido levado a Paris por dom Galião.

Joaninha – Prima de Zé Fernandes, camponesa portuguesa saudável e rústica.

 

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