Conheça a história da alfabetização de nosso país.

Desde o final do século XIX vêm-se tentando explicar um problema que ainda abala as escolas brasileiras: a dificuldade encontrada pelas crianças em ler e escrever, principalmente quando se trata daquelas que estão nas escolas públicas.
Dentre as disputas nos métodos de alfabetização são feitas tematizações, normatizações e concretizações. Destaca-se a hegemonia dos métodos paulistas, pelo caráter modelar das iniciativas educacionais a partir de 1890; das décadas finais do século XIX aos dias atuais, considerando que após a proclamação da República, deu-se início ao processo de aprendizagem da leitura e da escrita em escolas.
A escola se tornou, ao final do século XIX, instituição das novas gerações. Ler e escrever tinha ligação direta com o saber e com o esclarecimento (antes disso ficava restrita a poucas pessoas e era aprendido no próprio lar, sendo bastante informal), desta forma a escola passa a ser obrigatória, leiga e gratuita. O ensino se torna mais organizado, sistematizado e objetivo que, consequentemente, demandava profissionais capacitados.
Desde as últimas duas décadas têm-se notado as dificuldades em conseguir colocar em prática estes procedimentos de modo que atinjam o efeito pretendido. O problema é explicado de várias formas: o aluno, o professor, o sistema escolar, as condições sociais, entre outros. Várias explicações são dadas com diferentes focos para esse problema.
Até o final do Império brasileiro, o ensino era precário, e para subsistir dependia apenas de professor e aluno. Apenas na segunda metade do século XIX, passou a existir material impresso como livros didáticos, mas eram editados e/ou produzidos no continente euroupeu.
O ensino da leitura era feito das seguintes formas: marcha sintética, soletração, nome das letras, fônicos e silabação, sempre levando em conta o grau de dificuldade de cada um desses métodos de ensino; ao final se ensinavam frases. Já no ensino da escrita a base era a caligrafia e a ortografia, fazendo cópias até aprender a fazer corretamente cada letra.

Em 1876, o poeta João de Deus publicou em Portugal, seu país de origem, a Cartilha Maternal ou Arte da Leitura, que baseava-se no ensino da leitura da palavra para depois aprender a fonética. A partir de 1880 ela foi divulgada em São Paulo e no Espírito Santo pelo professor de português Antônio da Silva Jardim da Escola Normal de São Paulo.
A partir de 1890, implementou-se a reforma da instrução pública no estado de São Paulo. Em 1896 instituiu-se o Jardim de Infância na Escola Normal de São Paulo e na Escola-Modelo Anexa, nesta última utilizava-se o método analítico para o ensino da leitura. Este método foi obrigatório no estado de São Paulo até a “Reforma Sampaio Dória” (Lei 1750, de 1920). Iniciou-se uma disputa acirrada partidária entre o método analítico e o método sintético. Essa discussão perdurou até meados de 1920.
Ao final da década de 1910, o termo “alfabetização” começa a ser usado para se referir ao ensino inicial da leitura e da escrita. O ensino é tratado de forma didática através de ordem psicológica da criança.
A partir de meados de 1920, os professores passaram a resistir ainda mais contra o método analítico e novas propostas passaram a ser estudadas para a aprendizagem da leitura e da escrita.
Tentou-se então, conciliar os dois métodos (sintético e analítico) passando a ser chamados de métodos mistos ou ecléticos. Essa tendência de revitalização foi apresentada no livro “Testes do ABC para verificação a maturidade necessária ao aprendizado da leitura e da escrita” (1934) de M.B. Lourenço Filho, dando soluções para o aprendizado das crianças em ler e escrever. As cartilhas ainda eram utilizadas nos métodos mistos ou ecléticos. Isto se estende até o final da década de 1970.
No início da década de 1980, isso passou a ser questionado pelo fracasso na alfabetização das crianças. Introduziu-se no Brasil então o pensamento construtivista sobre alfabetização, desenvolvido pela pesquisadora Emília Ferreiro e colaboradores. O construtivismo levanta as seguintes questões: abandono das teorias e práticas tradicionais, desmetotização do processo de alfabetização e questionamento da necessidade das cartilhas. Trava-se nova disputa, agora entre construtivismo e os métodos ecléticos ou mistos. O construtivismo hoje se apresenta em documentos como os “Parâmetros Curriculares Nacionais” (PCNs).

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