Cora Coralina – Riqueza por detrás de simples palavras

Cora Coralina foi uma grande escritora brasileira que produziu lindos e profundos poemas acerca do cotidiano, utilizando uma linguagem simples, mas riquíssima em sentimentos. Em seus poemas e contos, podemos notar sua sensibilidade com a vida através de reflexões e mensagens. Assim era Cora Coralina, uma artista que não seguia padrões artísticos e uma mulher simples que nunca se deixou abater. Vale a pena conhecer um pouco mais dessa pessoa incrível.

Nascida em Goiás no dia 20 de agosto de 1889, seu nome de batismo era Ana Lins dos Guimarães Peixoto. Filha do Desembargador Francisco de Paula Lins e de Jacita Luiza do Couto Brandão, cresceu em uma casa de mais de um século, que hoje é um museu. Ana foi doceira e nunca deixou de exercer essa profissão, mesmo quando escrevia obras. A baixa escolaridade não impediu sua carreira de escritora (cursou apenas as 4 primeiras séries) – aos 14 anos escreveu seu primeiro conto, “Tragédia na Roça”, que foi publicado em jornais locais. Ana só foi obter reconhecimento muitos anos mais tarde, com o pseudônimo de Cora Coralina.

Sem o domínio da Gramática, Cora conseguiu transmitir aos leitores a riqueza de espírito por detrás das palavras de formas simples. Essa simplicidade se tornou a característica principal de suas obras. Grande parte delas falavam do ambiente onde ela foi criada; da história e o cotidiano do interior do Brasil, principalmente de Goiás.

Em 1908, Cora criou junto com duas amigas o jornal de poemas femininos “A Rosa”,e nele publicava seus poemas. Em 1910, “Tragédia na Roça”, foi publicado no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”.

No ano seguinte, Cora foi morar no interior de São Paulo com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem teve seis filhos. Morou em Avaré e Jaboticabal. Foi convidada por Monteiro Lobato a participar da Semana de Arte moderna, mas o marido não permitiu. Depois de transferir-se para a capital, a escritora trabalhou como

vendedora de livros na editora José Olimpio, e em 1965, aos 75 anos, viu o primeiro lançamento de um livro seu, chamado “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Nesse meio tempo, após a morte de Cantídio, mudou-se para outras cidades do interior, vendeu linguiça caseira e banha de porco, e retornou a Goiás em 1956. Em 1976, compôs “Meu Livro de Cordel”. Finalmente, em 1983 lançou “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha”. A admiração do público foi conquistada na década de 80, depois dos elogios de Carlos Drummond de Andrade na segunda edição de “Poemas dos becos de Goiás e estórias mais” (1978).

Cora Coralina faleceu em Goiânia aos 95 anos de idade, no dia 10 de abril de 1985. Pouco depois de sua morte, amigos e parentes a homenagearam criando a Casa de Coralina, com um museu com objetos dela.

 

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