Henri Rousseau – um artista especial

Henri Rousseau foi um pintor francês ligado ao movimento moderno pós-impressionismo do século XIX e início do século XVI, conhecido por suas técnicas autodidatas empregadas na criação de obras artísticas. Para conseguir um espaço no mundo da arte, teve que lutar muito contra as críticas e ironias frequentes ao seu trabalho. Rousseau tinha talento como os demais, mas não tinha o mesmo conhecimento técnico por não ter formação acadêmica. Por causa disso, suas pinturas não eram reconhecidas por serem diferentes e irregulares na visão dos críticos. Aos poucos, seu estilo começou a ser compreendido e apreciado por outros artistas, revelando para o mundo um talento todo especial.

Henri-Julien-Félix Rousseau nasceu na cidade de Laval, Paris, no dia 21 de maio de 1844. Cresceu em uma família humilde, que não tinha condições de lhe pagar um curso de artes. E essa era a única área que interessava o jovem, que vivia sendo reprovado nos exames da escola onde estudava.

Em 1868, mudou-se para Paris e casou-se com Clémence Boitard, uma costureira. Com ela teve 5 filhos, dos quais 4 morrem precocemente.

A partir de 1871 começou a trabalhar na Alfândega de Paris, motivo pelo qual recebeu mais tarde o apelido de “Le Douanier” (Aduaneiro). Rousseau só começou a pintar de vez depois dos 40 anos de idade, após aposentar-se. Para complementar a renda, tocava violino nas ruas.

Com o apoio dos pintores Clemént e Gêrome, iniciou sua carreira como copista de acadêmicos do Louvre, tentativa sem sucesso devido à falta de experiência e singularidade do seu jeito autodidata. Estreando oficialmente em 1885, não foi levado a sério. Seus quadros sem treino acadêmico e uso imperfeito de técnicas de perspectiva não foram aceitos no Salão dos Artistas Franceses, apenas, meio a contragosto, no Salão dos Artistas Independentes (que reunia outros pintores de vanguarda recusados).

Em 1888, a esposa morre de Tuberculose, deixando duas crianças, que logo são enviadas para morar com parentes. O quadro “Retrato de uma Mulher” é uma homenagem a ela.

Em 1890 Rousseau pintou um autorretrato que foi ridicularizado com o termo “retrato paisagem”. Anos mais tarde, em 1996, a tela foi valorizada e virou capa do catálogo especial da Galeria Nacional de Praga, ficando na frente de outras mais famosas. Os quadros ganharam mais atenção no final do século XIX com o auxílio de amigos do pintor. Em 1902 tornou-se professor de técnicas de pintura em miniatura e em porcelana na Association Philotechnique. Um ano depois, morre sua 2ª esposa.

Em 1908, ganhou uma festa no estúdio de Picasso em Montmartrês, que reuniu jovens artistas que tiravam muito sarro dele, mas achavam interessante a ruptura com as tradições acadêmicas da arte francesa.

Estilo do trabalho

As pinturas de Rousseau eram simples e renunciavam o requinte do impressionismo e as perspectivas lineares da arte clássica. A realidade era reproduzida com a exposição fiel do objeto, que acabava ficando com aspecto onírico e irreal. Rousseau afirmava ser do Realismo, mas o efeito final das obras obtido por técnicas particulares eram inovadoras e fantasiosas. Eram livres e tinham um aspecto infantil, ingênuo e grotesco, assemelhando-se à arte naïf, um tipo de arte primitiva moderna sem preparação acadêmica. As imagens com essa tendência estética são dotadas de uma beleza desequilibrada, desenhadas sem a consciência proposital de fugir da formalidade e dos padrões artísticos exigidos. Mesmo firmando seu próprio estilo e sendo um exímio colorista, Rousseau é considerado um artista naïf.

Henri Rousseau morreu em sua terra natal no dia 02 de setembro de 1910, aos 66 anos. Ainda não tinha adquirido o devido reconhecimento por seus trabalhos acadêmicos.

Rousseau era um pouco ambicioso no sentido de alcançar a fama, mas era muito ingênuo: foi preso duas vezes (na 2ª, foi acusado de fraude e desfalque ao abrir uma conta em seu nome para um parente). Por um lado, isso vez bem a ele, já que teve menos tristezas ao ignorar certas ironias.

Principais obras:

Retrato de uma mulher (1895-97)

A guerra (1894)

O Sonho (1910)

Os Jogadores de Rugby (1908)

Surpreendido! (1891)

Cigana Adormecida (1897)

O Leão Faminto (1905)

A Encantadora de Serpentes (1907)

A Refeição do Leão (1907)

Passeio na Floresta (c.1886)

Uma Noite de Carnaval (1886)

Encontro na Floresta (1889)

Eu Próprio, Retrato-Paisagem (1890)

Retrato de Pierre Loti (1891)

Um Casamento Campestre (1904-1905)

Criança com Boneca (c.1905)

A Estação Aduaneira (1890)

Vista da Ponte de Sèvres’ (1908)

A Guerra (1894)

Ramo de Flores (1895-1900)

 

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