O poeta passarinho

Mário Quintana, um talentoso poeta brasileiro, ganhou esse apelido após compor esse curioso poema abaixo:

Poeminha do contra

Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão…

Eu passarinho!

Mas qual o sentido disso? É o que muitos se perguntam. Alvo de muitas especulações, o Poeminha do contra é um daqueles poemas que muitas pessoas tentam interpretar e entender, mas sabemos que seu significado sempre é restrito ao autor. O que é certo é que Mário Quintana o escreveu em um momento de frustração, após não conseguir pela terceira vez uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Quintana era amigo de intelectuais, elogiado por escritores famosos como Manuel Bandeira, Érico Veríssimo, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, João Cabral de Melo Neto, e mesmo assim não obteve o reconhecimento merecido. Por motivos eleitorais, que resultavam na insuficiência de votos para alcançar uma cadeira na Academia (20 votos), ele nunca era eleito. Cansado de ver os sistemas nada democráticos que ocorriam, escreveu essas poucas linhas de enorme impacto.

O trecho “eu passarinho” pode se referir à liberdade que talvez o autor não tivesse dentro da Academia na época. Foi convidado para candidatar-se a uma quarta vez, com a promessa de unanimidade de votos, mas recusou.

Um pouco da vida de Mário Quintana

Poeta, tradutor e jornalista, nasceu em Alegrete, no dia 30 de julho de 1906. Em 1919, mudou-se para Porto Alegre e de lá não saiu mais. Trabalhou como jornalista, tradutor e até em uma farmácia. Em 1940, iniciou sua carreira de poeta, lançando o livro “A Rua dos Cataventos”. Também escreveu livros infantis.

Mário Quintana perdeu os pais muito cedo, nunca se casou ou teve filhos. Vivia em hotéis de Porto Alegre, recebendo ajuda de amigos quando precisava. Era muito querido por eles, e por isso, foi homenageado com um centro cultural localizado no lugar onde ele morou por muitos anos, o Hotel Magestic. O hotel fica no centro histórico de Porto Alegre, foi tombado como marco arquitetônico em 1982 e virou a Casa de Cultura Mario Quintana no ano seguinte. O quarto do poeta foi reconstruído em uma de suas salas, sob orientação da sobrinha-neta Elena Quintana.

Mário Quintana faleceu no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade